A Jornada da Heroína

Sansa, de Game of Thrones, possui uma trajetória e desenvolvimento muito significativos durante a série. Sansa começa como uma menina ingênua, presa no gelo do inverno, onde doces sonhos a embalavam: sonhos de ser uma grande rainha, em um reino de luz e calor, com vestes cintilantes e o amor de um lindo príncipe com cabelos cor de ouro. Sansa, não percebendo as armadilhas dessa atraente ilusão, deixou sua casa e sua mãe, para realizar os desejos de seu coração.

O príncipe a cortejava e elogiava, a Rainha convidava-a para comer bolos, e Sansa nunca se viu tão feliz. Quando sua felicidade estava no auge, ela olhou nos olhos do príncipe, buscando neles desejo e amor, mas encontrou por trás dos véus de sua Realeza um malvado, um vil, um cruel. Nesse momento tudo ruiu: seus sonhos, sua infância, seu amado paraíso. E Sansa, o belo anjo, caiu. E sua queda foi trágica e longa, pois ela estava no topo do Paraíso. Queda desgostosa, mas necessária. Sua jornada do céu ao inferno precisou ser gradual: havia muito a se evoluir, a se ampliar, a se renascer.

O príncipe e a Rainha, que agora eram seus carcereiros, tiveram papel essencial em seu crescimento, ensinaram-na a jogar o grande Jogo, o Jogo da Vida. Fizeram-na sentir descartável, secundária, sem valor. Ensinaram o lugar em que ela estava na hierarquia do mundo. E o lugar era cruel, escuro e sinistro. Sansa sentiu sua própria insignificância, aceitou-a e compreendeu a lição. Entendeu que, nessa Selva de Pedra, não se ganha nada só por existir, precisa-se lutar e conquistar algum espaço.

Sansa então fugiu do Reino-Solar-Encantado e retornou ao gelo do inverno, sua verdadeira casa. Mas a Sansa que entrou pelos portões do Castelo Gelado não era a mesma Sansa que saiu dele. Saiu Menina, voltou Mulher. Ao chegar, era a única e verdadeira herdeira do trono de seu pai, seus irmãos haviam morrido no Grande Jogo, mas ela não havia, a única sobrevivente foi a menina que só pensava em príncipes e bolos. E se sentou no Trono, não por ter direito de linhagem: conquistou-o, demonstrou suas habilidades e importância, ganhando o respeito de líderes de grandes e antigas casas. Enfim se tornou Rainha, não uma rainha solar, não através de um homem-príncipe, não mais uma Rainha com pele de porcelana: agora ela era uma Rainha com pele de aço.

“O chamado para o nascimento de uma nova luz a partir da escuridão chega até nós sempre que encontramos algo novo que requer desenvolvimento além de nossas capacidades atuais.“ (Monika Wikman, Pregnant Darkness)

Gabriela Junges


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