Visão e Obscuridade

Existe uma escuridão que não deve se tornar consciente. Não é apenas uma incapacidade da consciência de vê-la. Há uma necessidade dessa escuridão permanecer oculta. Sua própria natureza é ser escura. Se a luz entrasse, sua natureza se alteraria. Porém, a consciência pressente a existência dessa escuridão, formando uma imagem obscura dela. A consciência então pode se relacionar com essa imagem. É necessário, porém, não tentar iluminar a imagem para enxergá-la melhor, se não ela fugirá. É preciso vê-la e não vê-la. Mantida obscura, a consciência pode sentir presenças nessa escuridão. Um exemplo cotidiano disso é quando você entra em um quarto escuro e sente medo. Se você acender a luz, o medo irá embora, mas a presença psíquica que causou o medo também. A tendência da Modernidade é pensar: “acendi a luz e não havia nada, estou seguro”, negando que há um segundo estava sentindo medo. Você pensa que não havia nada, mas apenas expulsou de sua psique a presença que antes estava projetada ali. Outro exemplo é quando você apaga as luzes e dorme, produzindo uma escuridão mais densa, e começam a aparecer presenças ou imagens, que chamamos de Sonhos. A escuridão, apesar de inacessível, estimula a consciência a ver sua própria sombra. Visão e Obscuridade trabalham juntas, elas são um único símbolo.

Gabriela Junges


Deixe um comentário